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“Calar, às vezes, significa mentir porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. Eu não poderia sobreviver a um divórcio entre minha consciência e minha palavra, que sempre formaram um excelente par.” (Miguel de Unamuno) ESTE BLOG É APOIO PARA O BLOG *REFLETIR E PARTICIPAR* www.refletireparticipar.blig.com.br

19 março 2006

*****Apesar de alta no consumo, deflação derruba resultados das redes no país, que engordaram estrutura nos anos 1990*****
Supermercados demitem e fecham pontos
ADRIANA MATTOS - FSP
Está em curso um delicado processo de reestruturação do negócio de supermercados no país. É o primeiro grande movimento simultâneo nesse sentido, após a fase de gastança milionária das empresas em aquisições nos anos 90 -e visível até mesmo aos consumidores.As maiores lojas do país cortam pessoal, fecham lojas do dia para a noite, decidem reorganizar seus centros de despesas e até mesmo a rever o atual modelo dos pontos-de-venda -da cor da parede da loja à distribuição das gôndolas.Tantas mudanças ocorrem apesar do aumento no volume vendido de mercadorias nas lojas no país. Segundo a consultoria ACNielsen informou na última semana, a venda de alimentos, itens de higiene e beleza e de limpeza cresceu 4,8% em 2005. Em janeiro, aumentou 5,7%.O Pão de Açúcar, por exemplo, emitiu 523 milhões de tíquetes de venda em 2005 -5,2 milhões a mais do que em 2004.O problema não passa, portanto, pelo volume. A questão é que volume maior comercializado não é sinal de que o negócio vá bem. Por mais que se venda, o brasileiro está gastando menos a cada compra. A deflação ajuda nisso. A busca dos consumidores por itens mais baratos também.
Portanto, a empresa embolsa valores menores pela quantidade comercializada. Basta colocar na ponta do lápis: o brasileiro gastou 9% mais dinheiro em compras nessas lojas em 2005. Tirando daí a inflação, o ganho real ficaria entre 4% e 5%.Mas uma olhada nos números mostra que as redes no Brasil nem isso têm crescido.O Carrefour, que fatura R$ 12 bilhões ao ano, cresceu, sem considerar a inflação, 2,1% em 2005, segundo balanço mundial. Portanto, a venda real fica negativa. No Pão de Açúcar, há 11 meses, desde abril de 2005, a venda da rede deflacionada pelo IPCA registra redução. A margem Ebitda, no entanto, um indicador de saúde das operações da empresa, cresceu no ano passado, após três anos de estabilidade."Crise não há. O que existe é uma necessidade urgente de fazer ajustes em cima de uma estrutura que engordou no passado", afirma Nelson Barrizelli, professor de administração de empresas da FEA-USP e especialista em varejo."O que eles querem é jogar mais oxigênio no negócio, cortar custos e repassar isso para o cliente. Mas, aí, não da boca para fora. Eles precisam fazer isso porque o Wal-Mart entrou no jogo e quer o mercado deles", diz Alexandre Garcia, analista da área da corretora Ágora Senior.Nesse cenário, não teve jeito: o Pão de Açúcar começou a demitir pessoal e deve continuar a fazê-lo nas próximas semanas. Ao contrário da última "enxugada", em 2001, quando o corte atingiu 550 funcionários, esse deve ser menor e acontecerá aos poucos, segundo apurou a Folha.Não há números fechados. Em um ano, de 2004 ao final de 2005, a empresa fechou 17 lojas, mas abriu 22. Implantou ainda uma política de "Orçamento Base Zero", com forte controle nas despesas, e fez algo um tanto quanto básico para os analistas de cobrem a área. Decidiu centralizar a compra de produtos e serviços -por exemplo, material de escritório."Difícil imaginar como uma empresa como essa não tinha feito algo assim antes", diz Garcia. "Poderíamos ter feito antes algumas coisas, até poderíamos. Não fizemos e estamos fazendo agora", afirma Hugo Betlhem, um dos executivos mais antigos do Pão de Açúcar e diretor da rede Sendas/CompreBem.Na concorrência, há um plano de reestruturação no Carrefour oficialmente informado pela matriz em 2003, "visando reduzir a dívida e elevar o pagamento de dividendos aos acionistas da rede [no exterior]".Dentro do planejamento, a empresa anunciou, no balanço anual de 2005, que fechará parte das suas lojas Champion -em um ano, de 2004 a 2005, o total passou de 97 para 35 pontos- e transformará as lojas que restarem na bandeira "Carrefour Bairro".O consumidor percebe tudo isso. No final do ano passado, clientes de Bebedouro (SP), São José do Rio Preto (SP) e Votuporanga (SP) foram ao Champion das cidades. Encontraram um cartaz na porta informando o fechamento.A modernização dos pontos prevê mudanças na ocupação de espaços pelas gôndolas, introdução de produtos e de nova comunicação visual interna, além da ampliação do setor de serviços e de conveniências.Só com esses fechamentos, que implicam custos, a empresa gastou 196 milhões, segundo a matriz. Foi o maior gasto em reformulação de loja do ano passado -no Leste Europeu, o segundo maior, atingiu 63 milhões.Maior empresa de varejo do mundo, o Wal-Mart não fornece dados a respeito de sua saúde financeiro. Diz apenas "que cresce acima da inflação", segundo Wilson Mello Neto, vice-presidente de Assuntos Corporativos da rede Wal-Mart Brasil.


***** Taxa de juros só cai com corte nos gastos públicos, diz estudo do Ipea ****
SHEILA D'AMORIM - FSP
Na contramão da safra de pacotes de bondades, que ampliam as despesas públicas, o governo terá que limitar seus gastos, sobretudo na área social, se quiser abrir espaço para reduções mais fortes na taxa de juros e também diminuir a carga tributária e elevar os investimentos. O alerta é resultado de trabalho do economista Fabio Giambiagi, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que avaliou a política fiscal no governo Luiz Inácio Lula da Silva e mensurou o teto para gasto social.
"Não dá para ficar aumentando superávit primário indefinidamente. É preciso impor limites para as despesas em relação ao PIB ao longo dos próximos anos. Aí, as reformas necessárias irão acontecer naturalmente", diz Guilherme Loureiro, economista da Tendências.Para Giambiagi, já está mais do que na hora de olhar com mais atenção o ritmo de crescimento das despesas públicas. "Não dá para as despesas crescerem 10% em termos reais e o PIB (Produto Interno Bruto), apenas 2% no ano", afirma o economista.Para ele, ao contrário do que pregam muitos, dado o patamar elevado dos gastos do governo, não há como combinar uma diminuição das despesas com aumento na área social. "Ou o gasto social, expresso como proporção do PIB, é preservado -e, nesse caso, será difícil obter uma redução importante do total-, ou se ataca o problema do gasto público como um todo", diz, enfatizando que uma reavaliação da despesa da União afetará, inevitavelmente, o gasto social.Entre 2001 e 2005, o gasto social cresceu o equivalente a 1,5 ponto percentual do PIB, sendo que a maior parte dessa elevação deve-se aos pagamentos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que subiram 1,4 ponto percentual do PIB. Já as despesas com Bolsa Escola/Família cresceram 0,2 ponto, as com Loas (Lei Orgânica de Assistência Social), 0,1 ponto, e houve uma queda de 0,2 ponto nas demais despesas. O pagamento de aposentadorias foi responsável por 62% das despesas sociais totais.Dentro do governo, o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, acredita que a preocupação com gastos fiscais, especificamente com relação ao aumento do salário mínimo, pode ter influenciado a postura mais conservadora do Banco Central, na hora de definir o patamar de juros.

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