Refletir e Participar

“Calar, às vezes, significa mentir porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. Eu não poderia sobreviver a um divórcio entre minha consciência e minha palavra, que sempre formaram um excelente par.” (Miguel de Unamuno) ESTE BLOG É APOIO PARA O BLOG *REFLETIR E PARTICIPAR* www.refletireparticipar.blig.com.br

30 abril 2006

CLÓVIS ROSSI

Cadê os empregos?


SÃO PAULO - Todo mundo, em época eleitoral e até fora dela, fala de emprego/desemprego. Pena que a grande maioria só fale, posto que os principais partidos não têm estudos consistentes que examinem a questão sem simplismos ou slogans.Imaginar, por exemplo, que crescimento apenas resolve todos os problemas é uma grande tolice. Convido o leitor a examinar dados de um setor de ponta, o eletroeletrônico, no qual os empregos são de qualidade acima da média e, portanto, os mais cobiçados.O recém-lançado anuário da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) cobre o período 1998/2005. Em todos os itens, menos um, há números muito positivos. O faturamento, por exemplo, passou de R$ 37,4 bilhões em 1998 para R$ 92,8 bilhões em 2005, quase três vezes portanto.Aí, entra-se no único item que caiu, justamente o emprego. Eram 142,8 mil empregados em 1998, passaram a apenas 133,1 mil em 2005. Ou, visto de outra forma, o faturamento cresce uns 150%, mas o número de empregados que gera tal faturamento cai pouco menos de 7%.Triste, mas é da regra do jogo. O capitalismo de fato demonstrou ser superior ao comunismo, mas a vitória não o transforma em entidade de benemerência. Nele, ganha mais o capitalista que o trabalhador.Muito bem. Passemos adiante. O número de abril da "Revista da Indústria", editada pela Confederação Nacional da Indústria, informa que, para o período presidencial a iniciar-se em 2007, será necessário criar 15 milhões de empregos.No período que se encerra agora em dezembro, terão sido criados cerca de 4 milhões, quando seriam necessários, segundo o próprio candidato Lula, 10 milhões (no governo anterior, criou-se menos ainda).Alguém aí ouviu alguma análise sobre a complexidade do problema emprego/desemprego/inclusão de parte dos partidos ou candidatos? Pobre Brasil.


Offshores ligadas a Duda receberam US$ 1,6 mi em 2003

FOLHA SÃO PAULO
ANDRÉA MICHAELDA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A mais nova leva de documentos encaminhada ao Brasil pelas autoridades norte-americanas revela que três empresas offshores ligadas ao publicitário Duda Mendonça receberam US$ 1,59 milhão entre junho e julho de 2003, por meio de remessas realizadas no mercado financeiro dos Estados Unidos. O dinheiro saiu da conta bancária da Dusseldorf, offshore que pertence ao publicitário e foi utilizada para receber de forma ilegal pagamento por serviços prestados ao PT.Conforme os documentos, que fazem parte do inquérito no qual se investiga o mensalão, a operação de crédito mais expressiva foi para a conta da Pirulito Company Ltd., cujo procurador é Eduardo de Matos Freiha, sócio de Duda.Da mesma forma que a Dusseldorf, a Pirulito Company Ltd. tem sede nas Bahamas. Sua conta bancária foi aberta em 16 de junho de 2003, no BankBoston de Miami (EUA). No dia 2 de julho, a empresa recebeu US$ 875.338.Em 18 de junho do mesmo ano, a Dusseldorf mandou, também pelo BankBoston em Miami, US$ 218 mil para a conta da Raspberry Company e outros US$ 500 mil para a da Sttutgard Company Ltd., esta última aberta dois meses antes.A maior parte desses recursos foi posteriormente repassada para as contas das offshores Agata e Maximus, que pertencem a doleiros e movimentaram milhões pelo MTB, banco investigado nos Estados Unidos por suspeita de prática de lavagem de dinheiro.1997 a 2000As operações da Agata com Duda e associados até então conhecidas estendiam-se de 14 de janeiro de 1997 a 12 de julho de 2000. A base de dados do MTB, obtida pela já extinta CPI do Banestado, registra oito operações em nome do publicitário, num total de US$ 668,2 mil. Outros 14 depósitos e recebimentos são atribuídos a Zilmar Fernandes da Silveira, sócia de Duda Mendonça.A Agata, que movimentou mais de US$ 600 milhões, segundo a Polícia Federal, pertence aos doleiros Roger Clement Haber e Myrian Haber. Eles vivem no Brasil, mas não foram localizados na última sexta-feira pela Folha.Os documentos relacionados a Duda, que foram trazidos com base em tratado de cooperação internacional e por meio do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional) do Ministério da Justiça, também registram que o dinheiro da Dusseldorf irrigou outras quatro contas de pessoas físicas que pertencem ao próprio publicitário, a familiares dele e a sua sócia Zilmar.A conta de número 01122642, aberta em 15 de setembro de 1994, em nome de Duda e de seus filhos Eduarda, Leonardo e Alexandre, apresentava um saldo de US$ 7,5 milhões em janeiro de 1999. Durante o tempo em que esteve ativa, ao longo de 2002, a Dusseldorf girou US$ 10,5 milhões no sistema financeiro norte-americano.Duda e Zilmar estão entre as 40 pessoas denunciadas ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, por suposto envolvimento com irregularidades relacionadas ao mensalão. São acusados de praticar os crimes de evasão divisas e lavagem de dinheiro, devido às operações financeiras realizadas no exterior à revelia da Receita Federal.Lavagem de dinheiroAo comentar na denúncia essas operações, o procurador-geral afirma que, "conscientes de que os recursos recebidos tinham como origem organização criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública e contra o sistema financeiro nacional, os denunciados deliberadamente articularam esquema para dissimular a natureza, origem, localização, movimentação e a propriedade dos valores".Em nome de Duda, seus familiares e sócios, o advogado Tales Castelo Branco disse à Folha na tarde de sexta-feira que seu cliente não comentaria o assunto, mantendo a conduta que adotou desde que o publicitário se apresentou à CPI dos Correios. Segundo Castelo Branco, o foro correto para tratar desse tema é o Poder Judiciário, mais especificamente o Supremo Tribunal Federal, no qual seus clientes foram denunciados. No ano passado, Duda revelou a existência da Dusseldorf e disse que essa seria sua única conta no exterior. Ao ser questionado novamente pela CPI, em 15 de março deste ano, Duda silenciou.

23 abril 2006

MP amplia apuração sobre o Rural

MP amplia apuração sobre o Rural

Procuradores vão analisar supostas "práticas fraudulentas" e de lavagem de dinheiro não ligadas ao mensalão
Diego Escosteguy
O Banco Rural afirmou, por e-mail, que jamais fez operações fraudulentas e tentou evitar que terceiros as fizessem . "Todos os mecanismos prudenciais necessários foram adotados visando evitar que terceiros pudessem usar o Rural de má-fé", informou.Apontado pela Procuradoria-Geral da República como "núcleo operacional e financeiro" da "organização criminosa" que comandou o mensalão, o Banco Rural vai sofrer uma investigação mais profunda do Ministério Público Federal. Os procuradores vão ampliar o escopo da apuração para dissecar as supostas operações de lavagem de dinheiro conduzidas com a ajuda do banco nos últimos anos - especialmente as ligadas a políticos e grandes empresas que não participaram necessariamente do valerioduto.
Até agora, o foco estava concentrado nas transações feitas pelo empresário Marcos Valério, apontado como operador do mensalão. A decisão de estender os alvos de investigação partiu do próprio procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, depois que uma investigação do Banco Central e relatórios preparados pela equipe técnica do Ministério Público mostraram que as supostas "práticas fraudulentas" e de lavagem de dinheiro no Rural vão além das operações ligadas ao mensalão.
OMISSÃO
Com base em documentos apreendidos pela Polícia Federal no Banco Rural e em comunicados de transações efetuadas com indícios de lavagem de dinheiro enviados pelo banco ao BC nos últimos três anos, as investigações dos procuradores já apontaram que a instituição foi omissa no caso dos milionários saques nas agências de publicidade de Marcos Valério e em relação a pelo menos outros 16 grandes clientes.
De acordo com as investigações dos procuradores, o Rural deixou de informar ou enviou dados incompletos ao Banco Central sobre operações financeiras com indícios de lavagem desses clientes. Pela lei, os bancos são obrigados a comunicar ao BC todas as transações que possam ter características de ocultação e dissimulação de valores, como grandes saques e depósitos em dinheiro.
IDENTIDADE
O material apreendido pela Polícia Federal inclui e-mails e fax trocados entre funcionários de Marcos Valério e gerentes do Rural. Esses documentos mostram que o banco sabia a identidade dos sacadores do mensalão. Nos comunicados ao BC, entretanto, o Rural informou apenas que os saques destinavam-se ao "pagamento de fornecedores". O Ministério Público Federal investiga se essa prática era recorrente em informes de operações suspeitas do banco.
Além de apontar a existência de comunicados intencionalmente incompletos, o relatório 195/2006, elaborado pelos técnicos do Ministério Público Federal, indica que o Rural deixou de informar "movimentações suspeitíssimas" de seus clientes, entre eles alguns parlamentares. As conclusões do relatório do Ministério Público devem-se aos documentos do Rural do tipo "conheça seu cliente", obtidos pelos procuradores.
O Estado teve acesso aos 9.702 comunicados de operações com indícios de lavagem de dinheiro que foram enviados pelo Rural ao BC nos últimos três anos, que estão sob investigação dos procuradores e fazem parte do inquérito do mensalão. Mesmo supostamente incompletos, os dados revelam a existência de vultosos saques em dinheiro vivo feitos no Banco Rural por parlamentares ou pessoas e empresas ligadas a eles. Entre as transações financeiras consideradas suspeitas pelo BC e investigadas pelo Ministério Público, o Estado descobriu saques em espécie acima de R$ 100 mil feitos diretamente ou por meio de empresas ligadas aos deputados Armando Monteiro (PTB-PE), João Lyra (PL-AL), Remi Trinta (PL-AL), Tatico (PTB-DF), Ênio Tatico (PTB-GO), Átila Lira (PSDB-PI) e Nice Lobão (PFL-MA), além dos senadores Edison Lobão (PFL-MA) e Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL).
DESDE 2003
Os comunicados do Rural começaram em julho de 2003, quando todos os bancos passaram a ser obrigados a informar automaticamente ao Banco Central qualsquer transação considerada atípica pelas diretrizes de combate à lavagem de dinheiro. Os principais casos, como demonstram os comunicados do Banco Rural, envolvem operações em espécie com valores superiores a R$ 100 mil.
O Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) também tem acesso a esse banco de dados. Mas até agora não há notícia de que tenha produzido relatórios acerca dessas transações suspeitas.
Os documentos do Ministério Público Federal e as auditorias do Banco Central estão no inquérito do mensalão, mas como extrapolaram o foco de investigação do valerioduto também foram remetidos à outra equipe de procuradores, que investiga as operações do Banco Rural em paraísos fiscais, por meio do Trade Link Bank, offshore nas Ilhas Cayman.
Por meio do procedimento interno 0501301503, o Banco Central também investiga desde fevereiro de 2005 o Rural por suspeitas de gestão fraudulenta na área de crédito.

08 abril 2006

Em evento em universidade, publicitário afirma que seu maior erro foi dizer "toda a verdade" na CPI e anuncia que votará em Lula "No momento certo, vou abrir a boca", diz Duda

LUIZ FRANCISCODA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR
O publicitário Duda Mendonça disse ontem, durante palestra em Salvador, que está "com muita coisa entalada na garganta" e que no momento certo irá falar tudo.Indiciado pela Polícia Federal sob a acusação de crime contra o sistema financeiro e evasão de divisas, Duda considerou normal o pedido de indiciamento feito pelo relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O marqueteiro criticou, porém sem citar nomes, alguns parlamentares integrantes da CPI."Fui acusado de muita bobagem e besteira na CPI. Só batiam em mim e eu parecia um pateta porque não podia falar para não ser preso. Conheço todos eles e, no momento certo, vou abrir a boca e dar a resposta, porque não temo nada." Depois de ir por duas vezes à CPI, é a primeira vez que Duda fala em público.Ontem, ao chegar à Ucsal (Universidade Católica de Salvador), onde fez palestras para alunos de pós-graduação do curso de marketing político, o publicitário afirmou que não fará mais campanhas políticas no país, mas deixou aberta a possibilidade de trabalhar no exterior.Disse também ao chegar à universidade e reafirmou durante a palestra que o seu maior erro foi "dizer toda a verdade" no primeiro depoimento prestado à CPI."Eu não sei até que ponto vale a pena dizer a verdade nestes casos. Vasculharam a minha vida, quebraram o meu sigilo, violaram tudo e não encontraram nada. Eu sou um dos poucos que falaram a verdade e fizeram esse carnaval em cima de mim."Demonstrando mágoa com os momentos em que foi interrogado pelos parlamentares, Duda disse que parecia que estava em um "corredor polonês, tomando porrada de todos os lados".Voto em Lula"Vou votar no Lula. Vou torcer para o Lula ser reeleito", disse o publicitário, ao responder qual seria o seu candidato nestas eleições. Duda previu uma guerra entre PT e PSDB. "Vamos presenciar uma das maiores guerras de nossa história. Existe um partido que tomou o poder e outro que está louco para recuperar."Duda Mendonça também disse que José Serra, ex-prefeito de São Paulo, seria um adversário mais fácil para o presidente Lula na disputa pela Presidência. Ele acha que Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, pode surpreender. "Alckmin é o novo. E deve se unir a outros nomes, como Garotinho [ex-governador do Rio, do PMDB], Paulo Souto [governador da Bahia, do PFL] e Aécio Neves [governador de MG, do PSDB]", apontou Duda.Sobre o fato de o ex-governador paulista não ser nacionalmente conhecido, avaliou: "Não é conhecido. Mas conhecimento na TV se faz rapidinho". Na sua opinião, porém, o governo Alckmin "tem um monte de falhas".Para o marqueteiro, ainda respondendo aos questionamentos dos estudantes, Alckmin também teria o apoio de Serra, "que não teve desgaste como prefeito". Depois, comparou a administração do tucano com a de sua antecessora, a petista Marta Suplicy. "Marta fez um bom governo, mas foi muito ruim na saúde."Ainda se referindo ao ex-prefeito paulistano, que anunciou a pré-candidatura ao governo do Estado, Duda afirmou: "Serra diz que foi o melhor ministro da Saúde. Não foi. Mas ele falou tanto na campanha [a prefeito] que as pessoas acreditaram".Apesar de declarar que não fará mais campanhas eleitorais no país, sugeriu uma estratégia de campanha para o presidente Lula. "Não deve bater [nos adversários], e sim explorar o que fez para o povão. O povo vota em quem fez coisas para ele."Na opinião de Duda, "se porradaria [sic] funcionasse, Lula não estaria em primeiro lugar [em algumas pesquisas eleitorais]". A palestra de Duda começou às 19h45 e durou cerca de 2 horas e 30 minutos.Aproximadamente 150 pessoas, entre alunos, convidados e professores, participaram da palestra, que foi acompanhada pela imprensa. Aos jornalistas presentes, chegou a fazer um apelo: "Espero que a imprensa, que já me deu tanta porrada, não distorça as minhas palavras. Não pegue frases fora do contexto".Durante a palestra, no hall de entrada do auditório, enquanto Duda falava, alguns alunos colocaram um cartaz com os dizeres: "Caixa 2 e lavagem de dinheiro: procurar o sr. Duda Mendonça". A peça foi rapidamente tirada pela organização do evento.